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Beber / Destilados / Cachaça

 

Por Beatriz Marques

Beth Porto
A bebida inspira carnavalescos e é tema de sambas-enredo, como o da escola carioca Imperatriz Leopoldinense neste ano

Ensaio
Sambas-enredo:
Arranco do Engenho de Dentro, 1986
Acadêmicos do Salgueiro, 1977
Imperatriz Leopoldinense

Os desfiles das escolas de samba encantam o mundo com suas alegorias, mulatas e energia na passarela. Mas uma de suas contribuições ao país, muitas vezes, resgatar a cultura brasileira, retratada nos sambas-enredo. Contar um pouco da história brasileira e de seus personagens e abordar o cotidiano do nosso povo são papeis importantes da escola.

Assim, não é por acaso que encontramos temas gastronômicos no Carnaval. A cachaça, por exemplo, é tema conhecido nas letras de samba há décadas:

Escola Arranco do Engenho de Dentro, Carnaval de 1986 - levou aos foliões o samba "Sai mais Uma", que fala do consolo da bebida nos momentos de solidão.

Escola Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval de 1977 - concorreu com a música "Do Cauim ao Efó, Moça Branquinha". A cachaça é homenageada de um ponto de vista mais gastronômico, e o samba-enredo fala de pratos tipicamente brasileiros.

Homenagem ao Cachaça

Escola Imperatriz Leopoldinense, Carnaval de 2001 - neste ano, a bebida aparece no samba "Cana-Caiana, Cana Roxa, Cana Fita, Cana Preta, Amarela, Pernambuco...Quero vê Descê o Suco, na Pancada do Ganzá". A letra percorre a história da cana-de-açúcar e retrata a introdução da cachaça no Brasil. A escola bicampeã 1999/2000 do Carnaval do Rio de Janeiro também aproveita o momento para homenagear o carnavalesco Carlos Cachaça, um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, falecido em 1999.

No lugar da bagaceira

A cachaça tem enfoque histórico: conta desde a origem da cana na Arábia até a provocação dos inconfidentes mineiros aos portugueses, brindando com cachaça em lugar da bagaceira, principal bebida comercializada por Portugal.

Para este Carnaval, a Imperatriz contou com a ajuda da Associação Brasileira de Bebidas (Abrab) e recebeu cerca de R$ 50 mil. Mas a carnavalesca Rosa Magalhães já avisa: no desfile não haverá garrafas da branquinha.

Mesmo para quem não curte a folia, é um ótimo momento para conhecer a apreciada cachaça, na história contada com brilho, festa e fantasia no Carnaval mais prestigiado do mundo.

Em tempo

Dia 17, às 19h: ensaio para o Carnaval 2001 na Imperatriz Leopoldinense (tel. 0xx21/560-8037)
Preço: R$ 5
O quê: antes do ensaio, show de pagode (14h).

Sambas-enredo

Sai Mais Uma
(Juan, Silvio Paulo e Nilson)
Arranco do Engenho de Dentro, 1986

Desce mais uma meu senhor
Que a primeira não deu pra sentir o sabor ...
Vou me embriagar na fantasia,
Extravasar a ilusão nesta folia
Eu sou um sonhador!
Deixa eu beber, quero desabafar
Esquecer meu dia-a-dia
Tô me lixando pro que vão falar
Fulano disse que o sicrano já sabia
E até chamava o Ricardão quando saia
E que o beltrano é um tremendo 171
Num botequim o que mais tem é zum-zum-zum
Chora, chorão!
Estanca o sangue desse pobre coração
Uma cachaça e um limão
São o bastante pra matar a solidão
De gole em gole, sem ter compromisso,
Vem pra cá morena, vamos morrer disso
Que não dá pra confiar na seleção...
Desde 70, é só desilusão
Tira o copo da democracia
Pra que não beba como a inflação
Amanhã quando a ressaca passar
Volto pros bares da vida, pra novamente sonhar
Soma a saideira
Acho bom saber
Se tem roubalheira,
Não vai receber

Do Cauim ao Efó, Moça Branquinha,
(Geraldo Babão)
Acadêmicos do Salgueiro, 1977

A moça branca é amiga,
Não há quem diga que não tenha valor,
Só por ser tão boa
Vive assim à toa, sem querer se impor.
Ela dá coragem, dá vantagem,
Dá inspiração
Não admite
Falta de apetite numa refeição
No Salgueiro tem,
Tem gente que bebe pra esquecer ê-ê
Tem gente que sabe beber e comer ê-ê-ê-ê
Churrasco no Sul,
Buchada no Norte,
Tutu à milanesa,
Com pinga da forte.
Comendo Efó,
Jerimum com jabá,
Feijoada, peixada
Ou o bom vatapá,
Tem que ter cachaça,
Ela não pode faltar...
... E depois quindim,
E doce de leite com amendoim,
A moça branca

Cana-Caiana, Cana Roxa, Cana Fita, Cana Preta, Amarela, Pernambuco...
Quero Vê Descê o Suco, na Pancada do Ganzá

(Guga, Tuninho Professor e Marquinho Lessa)
Interpretado por Paulinho Mocidade
Imperatriz Leopoldinense, 2001

Cana-caiana,
Cultura que o árabe propagou
Apesar dos cruzados plantarem,
A cana na Europa não vingou
Mas conta a história que em Veneza
O açúcar foi pra mesa da nobreza
Virou negócio no Brasil, trazida de além-mar
E, nesta terra, o que se planta dá
Gira o engenho pra sinhô, Bahia faz girar
E, em Pernambuco, o escravo vai cantar
(Quero vê)
Quero vê descê o suco até melá
Na pancada doce do ganzá
Pinga...
Olha a cana virando aguardente
No mercado do ouro atraente
Paraty espalhou a bebida
Pra garimpar, birita tem
Na Inconfidência foi preferida
Pra festejar, o que é que tem?
Tem Carlos Cachaça, não leve a mal
Taí a verde-e-rosa em meu carnaval
(Vem provar minha cachaça)
Vem provar minha cachaça, amor ô, ô, ô, ô
O sabor é verde-e-branco
Passa a régua e dá pro santo
Que a Imperatriz chegou

  

 

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