Beber / Cerveja

Por Beatriz Marques

Divulgação - Arte Basilico-
Kaiser Bock e Bohemia escura





Cervejarias aproveitam o inverno
e investem em cervejas escuras
com edição limitada






Ela está presente em vários lugares e momentos de nossas vidas. Seja na televisão, nos outdoors ou na mesa de bar, sempre nos deparamos com uma garrafa de vidro cor caramelo escuro, cheia de gotículas de água ao redor, derramando um líquido dourado e espumoso num copo gelado. É a loirinha que dá prazer a muitos brasileiros e movimenta milhões de reais na economia. Agora, que tal trocá-la por uma morena não tão gelada assim?

Algumas indústrias nacionais estão apostando no gosto do público pelas cervejas escuras durante o inverno. Mais encorpadas do que as tradicionais claras (do tipo pilsen), elas são adequadas para temperaturas mais baixas e não são servidas "estupidamente" geladas.

Dois lançamentos da temporada são a Bohemia escura e a Kaiser Bock. A primeira foi lançada no inverno passado e teve bom retorno - comercializada somente nas lojas Pão de Açúcar, acabou um mês antes do previsto. Já a Bock da Kaiser tem mais tempo de vida: desde 1993 a empresa produz uma safra da cerveja entre maio e setembro. E a expectativa da cervejaria para este ano é que o volume de vendas cresça 26% em relação a 2002 (cerca de 4,5 milhões de litros produzidos). "Acreditamos que este segmento tem cada vez mais a aceitação do consumidor", comenta Benjamin Rosenthal, gerente de produto da Kaiser.

O aumento da produção das cervejas escuras é uma novidade para o Brasil, já que seu consumo é mínimo se comparado com o das pilsen - até o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) não mede a comercialização das "morenas". Mas o domínio das loirinhas tem suas explicações. Segundo o crítico gastronômico Josimar Melo, autor do livro "A Cerveja" da coleção Folha Explica, os aspectos cultural e climático podem ter influenciado: "O início da fabricação da cerveja no país foi realizado por cervejeiros alemães que introduziram o tipo pilsen, que por ser mais leve teve boa aceitação por causa do clima", explica. No Brasil incorporou-se o hábito de se tomar cerveja gelada e refrescante. "Em países não tropicais a cerveja é vista como bebida fortificante ou escolhida simplesmente pelo paladar, e não são degustadas a baixas temperaturas", completa.

As grandes indústrias cervejeiras nacionais também gastam a maior parte da produção nas claras, sendo o restante dedicado às malzbier (tipo adocicada) e exceções como a Caracu. E mesmo entre as loirinhas, as diferenças de gosto são tênues. "A indústria nacional segue um mesmo padrão de paladar. Há preguiça para diversificar", comenta Melo. A chegada de diferentes tipos de cerveja nacional, mesmo que por um pequeno período, só é motivo de comemoração para o paladar dos brasileiros.

As internacionais

Os apreciadores de cerveja, que sempre estão em busca de novidades, provavelmente já conhecem importadas escuras, como a irlandesa Guinness. Com o crescimento dos bares tipo "pub" e a queda dos preços, as cervejas estrangeiras (de grande variedade) estão mais acessíveis aos brasileiros. Será que elas são um estímulo à produção das morenas nacionais? Cassio Picolo, um dos proprietários do bar Frangó (SP), conhecido pela enorme carta de cervejas, acredita que "uma puxa a outra". "As importadas são mais amargas, bem diferentes das nacionais. Mas quem gosta se incentiva a experimentar a nacional", comenta. Já Benjamin Rosenthal afirma que "o desejo do consumidor brasileiro por cervejas segmentadas, de gosto diferenciado, vem crescendo. Tanto as brasileiras como as importadas são opções para diversificação do gosto".

As especiais

Quem quiser experimentar as escurinhas nacionais, é melhor aproveitar a estação antes que elas desapareçam das prateleiras e dos cardápios. Os mais exigentes perguntam: por que elas não são fabricadas durante o ano inteiro? Humberto Croce, mestre-cervejeiro da Bohemia, explica que a matéria-prima para a produção de sua cerveja escura é especial: o malte, vindo da Bavária, é adquirido em leilões. "Não é viável produzi-la durante o ano inteiro pela disponibilidade do malte de qualidade", explica. A Kaiser Bock também conta com maltes selecionados. São usados os chamados malte Munich, malte Cristal e malte claro, que passam por programas de germinação, seguidos de secagem com temperaturas controladas.

Kaiser Bock X Bohemia escura


Tecnicamente, as cervejas Kaiser Bock e Bohemia escura diferem pelo tipo de elaboração: a Kaiser, do tipo bock (de baixa fermentação), é densa, com tom avermelhado e 6% do volume de teor alcoólico. Já a Bohemia é do tipo schwarzbier, também de baixa fermentação, mas mais escura do que a bock e com menor teor alcoólico (5 %). A Kaiser Bock se destaca por ser a única cerveja escura brasileira fabricada exclusivamente com malte. A Bohemia escura se enobrece com o processo natural de coloração, enquanto que as outras cervejas passam por um processo de caramelização para ganhar cor.
A Kaiser Bock pode ser encontrada em pontos de venda em todo o Brasil (SAC tel. 0800-8881010) e a Bohemia escura está disponível em 13 regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais, Salvador, Goiânia, Recife, Fortaleza, João Pessoa e Natal (SAC tel. 0800-8858000).

A partir de quando uma cerveja é considerada escura?

A classificação de cerveja escura ou clara gera polêmicas, pois não há uma legislação que a determine. Uma convenção conhecida é a da European Brewery Convention, só que fica complicado para os leigos compreenderem. Para a instituição européia, a cerveja é clara se possuir menos de 20 unidades EBC, ou seja European Brewery Convention - seu próprio nome. Humberto Croce explica que "há várias metodologias européias, mas os EUA, por exemplo, utilizam outras. Mesmo a EBC não tem uma classificação estável", afirma.
Além da cor, as cervejas são classificadas pelo seu tipo de fermentação (alta ou baixa), teor alcoólico, extrato primitivo e teor de extrato final.
Para saber mais sobre cervejas, clique aqui (http://basilico.uol.com.br/beber/beber_ce_index_000.shtml)

Confira a tabela abaixo, que mostra a classificação dos mais conhecidos tipos de cervejas.

TIPOS DE CERVEJA
CERVEJA
ORIGEM
COLORAÇÃO
TEOR ALCOÓLICO
FERMENTAÇÃO
Pilsen
República Checa
Clara
Médio
Baixa
Dortmunder
Alemanha
Clara
Médio
Baixa
Stout
Inglaterra
Escura
Alto
Geralmente Baixa
Porter
Inglaterra
Escura
Alto
Alta ou Baixa
Weissbier
Alemanha
Clara
Médio
Alta
München
Alemanha
Escura
Médio
Baixa
Bock
Alemanha
Escura
Alto
Baixa
Malzbier
Alemanha
Escura
Alto
Baixa
Ale
Inglaterra
Clara e Avermelhada
Médio ou Alto
Alta
Ice
Canadá
Clara
Alto
--
Fonte: Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) www.sindcerv.com.br


As nacionais permanentes

Vale lembrar que existem outras cervejas escuras brasileiras que permanecem no mercado durante todo o ano, mas muitas delas apresentam outro processo de elaboração e, conseqüentemente, sabores diferenciados. Veja a lista abaixo:

Brahma Malzbier
Lançada em 1918, é ligeiramente adocicada devido à adição de caramelo em calda no processo produtivo. Tem teor alcoólico de 3,7% e amargor suave.

Antarctica Malzbier
Cerveja com 4,3% de teor alcoólico, é composta de aroma e sabor adocicado, em função da adição de caramelo em calda no processo produtivo e amargor suave. No mercado desde a década de 80.

Schincariol Munich

Munich é uma cerveja escura, produzida com a adição de malte torrado e caramelo, que proporciona um paladar encorpado e amargor característico. Sua coloração provém da utilização de maltes escuros e caramelo. É de baixa fermentação e médio teor alcoólico.

Caracu
Cerveja tipo Stout. Ela é preta, forte e encorpada. Tem aroma de malte torrado e teor de amargor acentuado. Como não é filtrada, contém levedura. Lançada em 1899, tem 5,3% de teor alcoólico. Contém corante caramelo.

Xingu
Xingu foi criada para atender um público segmentado norte-americano. Foi considerada a melhor cerveja escura do mundo em 1998 e 1999 pelo Beverage Testing Institute (EUA). Agora também está no Brasil nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro. Segundo o fabricante, Xingu é a  primeira cerveja escura premium do mercado. Tem teor alcoólico de 4,4%.

Fonte: sites Ambev, Kaiser e Schincariol

Publicado em: 04/07/02


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