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Vinho da Semana: Mapema Malbec 2007
Postado em May 8th, 2009 Nenhum comentário
Jose Galante e Mariano di Paola são dois renomados e experientes enólogos argentinos. Galante trabalha para Nicolas Catena há décadas. Ele participou desde o inicio da revolução nos vinhedos e na cantina que levou a Catena a ser uma das adegas de ponta do cone sul e chefia hoje o time de enólogos da casa. Mariano di Paola é responsável também há longo tempo pelos vinhos de outra importante adega, La Rural, mais conhecida pelos belos goles que levam o rótulo Rutini. Alguns anos atrás a dupla juntou forças num projeto, Mapema, uma pequena coleção de tintos e brancos que está sendo lançada no Brasil. Entre eles está este Malbec, de aroma e sabor atraente combinando ameixas pretas, baunilha e leve caramelo que marcam um paladar sedoso, com taninos finos, típicos desta cepa.Avaliação: 89/100
Preço: R$ 65,78
Onde Comprar: Mistral tel 11-3372-3400.
Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal “Folha de S. Paulo” e da revista
“Prazeres da Mesa”, além de colaborar em várias publicações sobre o tema
e-mail: carrara@basilico.com.br -
Coluna: A popularização do matcha, por Mari Hirata
Postado em May 5th, 2009 1 comment
Há dez anos, em São Paulo, em um dos primeiros eventos Boa Mesa de que participei, lembro de ter pedido matcha como ingrediente. Aquilo virou um transtorno: em todos os lugares que se buscava só era encontrado o chá verde comum, em folhas. Pouquíssima gente conhecia esse chá verde em pó, que é utilizado na tradicional cerimônia de chá.Hoje ele está muito mais popular: você encontra matcha latte na rede Starbucks, e até matcha Ice nas lojas da Häagen-Dazs. É, talvez, um dos ingredientes japoneses que mais tenha se popularizado nos últimos anos.
O matcha agora faz frente ao tradicional trio chocolate/café/baunilha, adicionando sabor a diversos preparos. Seu gosto amargo, sua linda cor e seu intenso perfume fazem até os avessos aos doces ficarem com vontade de comer.
Isso porque ele suaviza o gosto doce das receitas que carecem de muito açúcar. Um bom exemplo desse apelo é o macaron sabor matcha, que aqui no Japão ganha até do tradicional sabor chocolate.Hoje também muito se fala de suas propriedades antioxidantes, da sua alta concentração de vitamina C e se seus poderes anti-bactericidas, além da frase mágica: ele ajuda a emagrecer. Juntem-se ao seu sabor exótico os benefícios que ele traz à saúde e, pronto, temos uma nova estrela.

Todo esse sucesso recente propiciou uma serie de falsos “matchas“. E é claro que para se fazer um prosaico bolo caseiro ou um milk shake não é necessário ter um verdadeiro. Mas, para quem não quer comprar gato por lebre, vale saber como é o produto original.
O matcha é resultado dos brotos do chá verde novo, que foi protegido do sol (coberto por uma leve rede preta), colhidos na primavera. O fato da planta ter crescido na sombra garante uma bebida mais doce. Depois de descartados os caules e a veia central, as folhas tenras são picadas e rapidamente passadas no vapor, evitando assim sua oxidação e fermentação, conservando sua cor verde e seu aroma.
As folhas são desidratadas e só então passadas no moinho de pedra.
Como se consome o chá juntamente com as folhas, o matcha é o que mais contem vitamina C e a catequina (o tal flavonóide antioxidante).Como é de se imaginar, todo esse processo demanda bastante trabalho e isso explica seu preço alto. Por isso é normal que cada vez mais existam imitações com corantes e aromas artificiais.
Depois de adicionado ao doce ou preparado, fica mais difícil de saber a qualidade do produto, por isso procuro me abastecer em lojas de confiança. Muitas vezes a única forma de conferir a qualidade é abrindo o pacote e cheirando o produto, como se faz com o chocolate.
Uma vez bem escolhido, o matcha deve ser conservado em lugar frio, escuro e seco. A geladeira é ideal, mas é preciso comprar sempre em pequenas quantidades pois ele oxida com facilidade. Nesse caso, ele se assemelha muito ao café. Na hora de prepará-lo, tente diluir em água fria, aos poucos, para ficar bem homogêneo e passe por uma fina peneira depois. Essa é uma forma de extrair seu sabor sem que ele perca as propriedades – o que fatalmente acontece quando levado a altas temperaturas.
A melhor maneira de saboreá-la é a tradicional: em um bol de cerâmica, acrescente uma colher de chá de matcha e 100ml de água quente. Com a ajuda de um pequeno batedor de bambu, bata até formar uma espuma densa na superfície. Essa oxigenação vai suavizar o gosto amargo do chá. Para tornar tudo ainda mais saboroso, deguste junto com um doce japonês.
ReceitaSorvete de matcha - 4 porções

3 gemas de ovo
80g de açúcar
1/2 copo de leite (100 ml)
1 copo de creme de leite (200 ml ) batido
1 colher de sopa de matcha de boa qualidadeBata as gemas com o açúcar ate formar uma gemada. Dilua o matcha com duas colheres de sopa de água fria e reserve. Esquente o leite, coloque sobre a mistura das gemas e leve ao fogo. Atenção: para não talhar não deixe ultrapassar 83 graus. Misturar no creme morno o matcha diluído passo-o na peneira para não formar grumos. Depois de frio misture o creme de leite batido - a mistura deve ficar homogênea. Coloque na sorveteira ou bata na batedeira (para evitar cristalização) e leve ao congelador.
Mari Hirata é chef de cozinha radicada no Japão e autora o livro “As Minhas Receitas Japonesas”, lançado pela Publifolha

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Coluna: O Charuto e as Mulheres, por Fernanda Ayoub
Postado em April 22nd, 2009 6 commentsDegustar um charuto é uma sensação única. Este artefato é capaz de fechar com chave de ouro uma boa refeição, de fazer par com uma bela bebida ou mesmo complementar um bom papo. O hábito sempre esteve relacionado à sofisticação, personalidade, charme e estilo, mas foi historicamente associado ao universo masculino, como um prazer exclusivamente reservado aos homens.
Quando se tenta unir as imagens de charutos e mulheres, rapidamente vem à mente a tradicional figura das tabaqueiras nas fábricas enrolando o tabaco. Uma visão no mínimo simplista, já que muitas mulheres fazem parte da trajetória do charuto - desde o plantio do tabaco até o consumo final, papel este que a mulher vem cumprindo cada vez mais.
Voltando um pouco na história, uma das versões da criação da anilha, o anel de papel que envolve o charuto com o logo ou nome da marca, é atribuída à rainha russa Catarina, a Grande. A rainha era uma aficionada por charutos e ordenou que eles fossem envolvidos em um pedaço de seda para que não manchassem suas luvas.
Já em Cuba, quando Fidel Castro decidiu criar a Cohiba, notou que na época o número
de homens trabalhando com tabaco era superior ao de mulheres. Por isso, decidiu criar uma escola para que elas pudessem aprender a manufatura do produto. Depois de um ano de aprendizado, a primeira turma estava apta para a produção e, em 1966, iniciou nas atividades da marca. A relação da Cohiba com as mulheres não pára por ai. O nome Cohiba, inspirado na palavra indigena para os rolos de folhas secas que os índios fumavam, foi sugerido por uma mulher, Celia Sánchez Manduley, guerrilheira e principal auxiliar do comandante Fidel Castro. Mais recentemente, em 1995, a mesma empresa teve a primeira mulher no cargo de diretora em uma fábrica de charutos do mundo. Emilia Tamayo trabalhava na área contábil da Cohiba, mas teve seu excelente trabalho reconhecido e passou a diretora, onde ficou famosa pelas melhorias que fez na empresa.
É impossível não mencionar também as diversas mulheres do universo artístico que sempre estiveram acompanhadas por um charuto. É esse o caso da escritora, poetisa e feminista americana Gertrude Stein, a poetisa Amy Lowell e das romancistas francesas Sidonie Gabrielle Colette e George Sand.
Já a soprano australiana Nellie Melba recebia os melhores charutos da extinta fábrica cubana La Africana, conhecida também por ter sido a primeira empresa tabaqueira a empregar uma mulher, em 1878. Atrizes como Marlene Dietrich, Jodie Foster, Whoopie Goldberg, Demi Moore, Drew Barrymore, Sharon Stone, Linda Evangelista e Nicole Kidman e a cantora brasileira Fafá de Belém também são apaixonadas pela arte das baforadas. Até mesmo Bonnie Parker, da famosa dupla de criminosos americanos Bonnie e Clyde, arrumava tempo entre seus assaltos para degustar um puro. Apesar de tantos episódios relacionando o tabaco às mulheres, ainda existe uma grande (e falsa) convenção de que charutos são para homens, o que sustenta pensamentos preconceituosos de que as consumidoras têm um ar masculino. O lendário Zino Davidoff, criador da marca Davidoff, costumava dizer “se sua mulher não gosta do aroma do seu charuto, troque de mulher”. Mas os tempos estão mudando e atualmente Vahé Gérard, proprietário da mundialmente conhecida loja Gérard Père & Fils em Genebra, afirma com humor que “se sua mulher não gosta do aroma do seu charuto, troque de marca”, referindo-se à maior sensibilidade e sentidos mais apurados que elas possuem.
Para as mulheres que têm vontade de se iniciar nessa arte, m
as ainda se sentem constrangidas de freqüentar tabacarias, uma boa maneira é começar freqüentando as inúmeras confrarias de mulheres que apreciam charutos, já existentes no Brasil. O meu envolvimento com este universo iniciou durante a faculdade de hotelaria. Comecei a me aprofundar no assunto e posso dizer que foi amor à primeira vista. E foi assim que o charuto se tornou uma paixão e parte da minha vida.
Confesso que no inicio tive certa dificuldade para entrar nesse mundo tão masculino. Adorava ir a tabacarias, mas me sentia incomodada porque quase sempre era recebida com perguntas como “veio comprar um presente?”, ou então, “é para o seu pai?” e quando respondia com uma negativa, então o vendedor insistia em oferecer charutos mais suaves ou aromatizados, pois “combinavam mais com as mulheres”.Mas não desisti e percebi que a melhor maneira de vencer esse preconceito era entender do assunto. E foi na minha busca por informações e cursos de charutos que conheci o especialista em tabacos César Adames, que me ensinou muito sobre o assunto. Além disso, visitei as fábricas de charuto no Recôncavo Baiano e em Cuba, onde pude aprender e ver na pratica a sofisticada produção de charutos.
Neste momento, o charuto era apenas um hobby, até que uma interessante surpresa aconteceu. Uma vez por ano acontece o campeonato nacional de Epicure Sommelier (profissional responsável pela harmonização de bebidas e charutos), mas para participar desse concurso é necessário trabalhar no ramo. Porem, no ano de 2007 houve uma exceção. Foi realizado um campeonato idêntico ao nacional para os alunos que cursavam a pós graduação em Gestão de Bebidas com Ênfase em Vinhos no Senac e quem ganhasse, teria direito a participar do campeonato nacional, mesmo não trabalhando na área. Como estava cursando essa pós graduação, participei deste campeonato do Senac e venci. Com isso, obtive o direito de participar do campeonato nacional, no qual alcancei o 2º.lugar.Por conta desse resultado, fui convidada a trabalhar na Tabacaria Lenat, como Epicure Sommelier, que foi uma experiência única e muito gratificante. E para compartilhar meu interesse por esse universo fascinante vou escrever todos os meses no Basilico sobre os diversos aspectos desse delicioso hábito. Boas baforadas para todos nós.
Fernanda Ayoub é formada em hotelaria e uma apaixonada por charutos. Vice-campeã do campeonato nacional de epicure-sommelier de 2007, ela representa a nova geração de charuteiros. -
Vinho da Semana: Salton Virtude 2008, por Jorge Carrara
Postado em April 16th, 2009 Nenhum comentário
Dona de dois grandes tintos tupiniquins -o Desejo e o Talento- a Salton ataca agora na ala branca com o Virtude, um Chardonnay (que chega ao mercado no fim do mês) destinado a fazer companhia a dupla rubra no topo do portfolio da adega. O novo vinho, assinado por Lucindo Copat, enólogo da casa, foi fermentado e amadurecido em barricas novas de carvalho francês e americano.A madeira aparece no aroma, bem mesclada com fruta que fica ainda mais evidente no paladar longo, vivaz, com boa acidez, onde aparecem também toques de especiaria e leve torrefação, dando forma ao melhor branco nacional que já provei.
Boa homenagem, à memória de um dos mais importantes e carismáticos lideres que teve a indústria vitivinícola brasileira, Ângelo Salton Neto, presidente da casa falecido em março, que soube colocar a firma gaúcha na busca firme da qualidade.
Avaliação: 90/100
Preço: R$ 50
Onde Comprar: Salton tel 11-2959-3144Jorge Carrara é colunista de vinhos do jornal “Folha de S. Paulo” e da revista “Prazeres da Mesa”, além de colaborar em várias publicações sobre o tema

e-mail: carrara@basilico.com.br


