 |
| Arroz Caldoso, feito com legumes e finalizado com azeite / Imagem: Marina Fuentes |
Por Marina Fuentes No cardápio, o espaço para as tapas vegetarianas não é novidade. Mas a unidade paulistana do restaurante Arola-Vintetres, do chef espanhol
Sergi Arola, resolveu ir além e criou um menu-degustação exclusivo para as especialidades sem carne (R$ 175 por pessoa, incluindo couvert, cinco tapas, salada, prato principal e sobremesa).
“Foi uma demanda que veio dos próprios clientes. Recebemos muitos vegetarianos na casa, tanto moradores da cidade quanto hóspedes [do Tivoli, do hotel onde fica o restaurante] estrangeiros”, explica o chef executivo
Fábio Andrade, que criou e adaptou muitos dos pratos sob supervisão de Arola.
Até então, os menus-degustação (há algumas opções) incluíam um ou outro “tapa” sem carne, mas não havia nenhum pensado em atender integralmente o público que não consome derivados de animais. E para quem vai à casa, vegetariano ou não, isso pode ser um entrave, uma vez que só é possível pedir qualquer um dos menus se todos os ocupantes da mesa fizerem o mesmo. Comer um menu na mesma mesa em que um vegetariano fosse provar alguns dos vários tapas sem carne, era, portanto, impossível.
Desde o início do ano, no entanto, onívoros e vegetarianos podem degustar lado a lado uma sequência de especialidades da casa. E o vegetariano, batizado de “
menu de la huerta” não é só isento de carne mas também de qualquer proteína animal, incluindo derivados de leite e ovos. Um menu-degustação vegano, portanto - provavelmente o pioneiro do estilo em um restaurante gourmet da cidade.
À convite da casa, o
Basilico foi provar o menu de la huerta. A refeição começou com uma sequência de tapas, que, assim como o prato principal, pode
variar de acordo com a oferta de ingredientes. Um copinho de gaspacho de morango (salgado, como um gaspacho deve ser), seguido por uma tábua apelidada de “
momento vegano”, com pequenas porções de “finger foods” (tomate-cereja recheado com cogumelos, miniberinjela recheada com quínoa e cenoura, palitinhos de legumes imersos no vinagre balsâmico, gelatina com legumes diversos sobre torradinha).
 |
| Tartare de beterraba / Imagem: Marina Fuentes |
Depois, vieram as tapas propriamente ditas. Algumas já fazem parte do menu regular da casa e são servidas em versão diminuta. Caso das
berinjelas defumadas com pinoles. “Elas já são um dos hits do cardápio”, explicou o chef. E de fato, foram elas a melhor etapa da refeição. Foram servidos ainda um tartare de beterraba com azeite de baunilha e espuma de iogurte de soja (com um lindo visual), cogumelos sortidos em escabeche, batatinhas recheadas com molho romesco (feito com pimentão, macadâmia e pão).
O prato principal foi um arroz com legumes, que apesar de úmido, não tem a cremosidade daqueles que levam caldo de frango, manteiga em abundância e queijo. “É feito com caldo de legumes e finalizado com azeite”, explica o chef, que diz que pode servir com queijo quando o cliente não tem restrição ao leite e seus derivados.
Para finalizar a refeição, um potente gel de cachaça com abacaxi e frutas tropicais (caju em destaque) confitadas a frio al Jerez servidas com sorbet de jabuticaba.
Apesar das muitas etapas, a refeição tem
leveza garantida pelos vegetais e grãos protagonistas. E ainda que a alguns onívoros fique a impressão de que algo está faltando ali, a iniciativa da casa é louvável por atender um público ignorado sumariamente pelo circuito gastronômico e que geralmente tem à disposição somente restaurantes de almoço, muitas vezes em sistema de bufê.
“É uma tendência já bem explorada na Europa e que acreditamos que está vindo pra cá”, explica o diretor regional de operações do Tivoli, hotel que hospeda o Arola, Marco Amaral. Enquanto outras casas não se inspiram na iniciativa, vegetarianos e veganos têm agora no Arola uma opção para uma refeição em grande estilo sem abrir mão de sua ética e hábitos alimentares.
Arola-Vintetres
Alameda Santos, 1.437, 23o andar. Tel.: 3146-5923